15 September 2017

O novo populismo de América Latina, um movimento mais vivo do que nunca

A América Latina se prepara para viver nos próximos meses um calendário eleitoral intenso e determinante para o futuro do continente. À espera do que sucederá na Venezuela, Chile, Honduras, Costa Rica, Paraguai, Colômbia, México e Brasil, realizam eleições presidenciais até o final de 2018. Neste cenário político, o populismo, ao contrário do que parece, está mais vivo do que nunca.

Além de seus deslocamentos ideológicos pendulares pela Europa ou América, o populismo começa a gerar fórmulas similares de liderança onde estejam. Os novos líderes populistas estão unidos pelo carisma, o autoritarismo, a incorreção política ou a metonímia de tomar sua parte como o todo, da mesma forma em que compartilham a aversão pelas nuances, maniqueísmo, uma rejeição visceral a uma classe política que consideram mera máfia do poder, ou a surpreendente capacidade de capitalizar em beneficio próprio todo tipo de votos de castigo.

Luisa García, sócia e COO de LLORENTE & CUENCA na América Latina.

Claudio Vallejo, diretor sênior de Latam Desk Europa de LLORENTE & CUENCA.

INTRODUÇÃO

Os diferentes resultados eleitorais registrados desde 2015 foram a causa de que se estendesse a percepção de que o populismo e os movimentos populista-demagógicos, de um partido ou de outro, em auge na Europa e nos Estados Unidos (Donald Trump, Marine Le Pen, Podemos, Syriza…) se encontram em fase de retração na América Latina. As campanhas políticas latino-americanas que vêm se realizando há dois anos, além das especificidades próprias de cada nação, pareceriam mostrar e confirmar esse refluxo.

Entendemos aqui populismo como uma forma de interpretar o jogo político na qual os populistas reclamam para eles a total representação de um “povo” formado somente pelos partidários do líder populista, enquanto a oposição não tem legitimidade e é equiparada à antipátria. Esta abordagem, ao contrário de estar em declínio na América Latina, continua muito presente, agora atingiu o pico não somente por partidos, movimentos e lideranças relacionadas com o “socialismo do século XXI”, mas também também por forças que se posicionam à direita do espectro político e que agora tem maiores opções de ganhar eleições ou de obter relevância eleitoral.

Estes novos populismos, nascidos, em sua imensa maioria, à margem do “socialismo do século XXI”, continuam tendo uma forte carga de autoritarismo, apostam pelo protecionismo, por lideranças carismáticas e por rejeitar as instituições e a institucionalidade. Como afirma o cientista político Andrés Malamud:

“O populismo promove a relação direta entre o líder e as massas. Para evitar os parlamentos e os partidos, os líderes populistas constroem uma antinomia e se posicionam a um lado: o do povo. O nome genérico do populismo é maniqueísmo. Mais que as instituições ou as elites, o inimigo do populismo são as nuances ”.

AS ETAPAS DO POPULISMO NA AMÉRICA LATINA

Na América Latina o populismo tem demostrado ter, historicamente, grande capacidade de resistência e habilidade para ir sofrendo uma mutação ao longo do século XX e o XXI. Susanne Gratius já descreveu como existiu um primeiro populismo, “o clássico”, o dos anos 30 e 40 (Juan Domingo Perón ou Getúlio Vargas). Ressurgiu, quando muitos analistas, especialistas e acadêmicos o consideravam morto, em forma de populismo neoliberal nos anos 90 (Carlos Menem, Alberto Fujimori ou Abdalá Bucaram) para desembocar na década passada no “novo populismo”, já na forma de “socialismo do século XXI”, e cuja principal referência foi Hugo Chávez. Desta forma, o populismo vem mostrando sua capacidade de resistência em desaparecer, madurando em terrenos apropriados: as crises políticas e institucionais, assim como as crises econômicas e sociais que acabam sendo excelentes terrenos férteis, ideais para que germinem, cresçam, se desenvolvam e até sofram uma mutação.

Alguns dos novos exemplos populistas em escala mundial (Donald Trump, o populismo ultradireitista de Marine Le Pen ou o populismo de esquerda de Podemos) não podem ser explicadas sem as crises prévias (políticas e socioeconômicas) pelas quais esses países atravessaram. Da mesma forma, a crise dos anos 30 e as mudanças no modelo social (urbanização) e econômico (industrialização) estão atrás de fenômenos como o peronismo na Argentina e o varguismo no Brasil. A crise atual, de proporções estruturais, que começou em 2008 é o pano de fundo que explica a emergência dos exemplos populistas citados anteriormente, assim como os da Aurora Dourada ou Alexis Tsipras –ao menos até que chegou à presidência– na Grécia.

“O populismo vem mostrando sua capacidade de resistência em desaparecer, madurando em terrenos apropriados”

O populismo pode parecer extinto (na América Latina ocorreu nos 60 e 70) ou em retrocesso (na atualidade na América Latina), mas contém uma mensagem que termina regressando pelos resquícios que deixam as crises cíclicas e as mudanças socioeconômicas traumáticas. Depois da crise dos 80 (a “Década Perdida”) surgiram os “neopopulismos” de Menem ou Fujimori; depois da “Meia Década Perdida” (1997-2002) apareceram o chavismo e os “socialistas do século XXI”. Agora, como aponta Emili J. Blasco:

“Existe un cambio de coyuntura económica que se ve plasmado en cambios políticos. Esto no quiere decir que se vaya a trasladar a todos los países. Unos gobiernos pasarán malos momentos y otros serán efectivamente barridos, aunque de momento no creo que veamos el fin del populismo”.

 

O APARENTE REFLUXO POPULISTA NA AMÉRICA LATINA 

A derrota do kirchnerismo nas presidenciais da Argentina de 2015, a do chavismo nas legislativas na Venezuela nesse mesmo ano e a de Evo Morales no referendo da Bolívia começaram a criar essa falsa sensação de que o populismo se encontrava, e se encontra, em decadência e em retirada em uma região onde a maioria das eleições está trazendo derrotas de governos próximos ou vinculados ao “socialismo do século XXI”. As dificuldades crescentes do Governo de Nicolás Maduro na Venezuela desde 2016, ou a vitória ajustada de Lenín Moreno no Equador em 2017, apenas confirmaram esta sensação, além de que se tenha produzido a esmagadora reeleição de Daniel Ortega na Nicarágua.

Na realidade, o que está acontecendo no panorama político latino-americano é a queda de uma “certa” forma de governar. Em 2015, a vitória de Mauricio Macri frente ao peronista Daniel Scioli começou a abrir uma nova etapa na região, marcada pela chegada de governos de centro direita. Uma tendência que a vitória de Jimmy Morales sobre a “socialdemocrata” Sandra Torres na Guatemala, e o triunfo nas legislativas venezuelanas da Mesa de Unidad Democrática sobre o Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV, reforçaram ainda mais esta ideia.

O populismo, na sua versão anexa ao “socialismo do século XXI”, está atravessando um claro retrocesso, muito mais claro a partir de 2013 depois de ter experimentado indubitáveis progressos desde 2005. Hugo Chávez esteve durante seis anos (1999-2005) muito somente na América Latina, fora sua aliança com a Cuba de Fidel Castro. A meados da década passada, o projeto chavista começou a ganhar aliados na região: Evo Morales na Bolívia em 2005, Daniel Ortega na Nicarágua em 2006 e Rafael Correa no Equador em 2007. Até 2009 essa proposta “anti-imperialista” e anti-neoliberal de Chávez (refletida no ALBA, no Petrocaribe etecetera) continuou expandindo-se com novos aliados como Manuel Zelaya em Honduras ou Fernando Lugo no Paraguai. Além disso, contava com a compreensão de Lula da Silva no Brasil e com a cercania da Argentina kirchnerista.

O catedrático da Universidade de Salamanca, Manuel Alcántara, recorda que o sucesso do chavismo e de outros movimentos dessas características se devem à existência de fatores que ajudaram seu triunfo. Como entre finais dos 90 e meados da primeira década do século XX, na atualidade a América Latina continua marcada por algumas dessas deficiências que alimentaram –e continuam alimentando– um novo renascimento dos diferentes tipos de populismos:

A SISTEMATIZAÇÃO POPULISTA 

De acordo con Manuel Alcántara

DESCONTENTAMENTO POLÍTICO

Nas palavras do catedrático salmanticense, no início do novo milênio, a América Latina sofria uma:

“Crise severa no sistema de representação política, traduzida não somente na perda de confiança da sociedade nos partidos políticos, e de repúdio para com eles, senão também respeito aos políticos profissionais tradicionais”.

 

De forma similar, na atualidade se assiste a um distanciamento entre representantes e representados: forte desconfiança para a “classe política”, incredulidade com os partidos e as tradicionais vias de participação, assim como escassa confiança nos governos. Como para o caso do México indica José Woldenberg, professor da Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da UNAM:

“Pela primeira vez, vejo o povo com muito pouca esperança. Dá a impressão de que para muitos o dever cívico termina ao emitir o sufrágio (…). Claro, temos um déficit de cidadania como país. Muito poucos cidadãos mexicanos participam de maneira regular em uma organização, seja de direitos humanos, de observação eleitoral, de defesa do meio ambiente, é somente uma minoria”.

 

De fato, somente ao redor de 40 % da população latino-americana se mostra satisfeita com a qualidade democrática de seus respectivos países, de acordo com um estudo da consultora chilena Latinobarómetro. E o que o cientista político francês Pierre Rosanvallon descreve como uma malaise democrática, caracterizada pela crescente perda de importância das eleições, a menor centralidade do poder administrativo (e suas políticas públicas) e a falta de vínculo com os funcionários públicos e as instituições.

DÚVIDAS NO MODELO

 

Mesmo que a região não atravesse “uma aguda crise econômica” como durante a Meia Década Perdida (1998-2003) os atuais efeitos da desaceleração puseram em dúvida o modelo “petroleiro-exportador onde a classe política tinha usufruído dos canais de distribuição rentista”.

A Meia Década Perdida engendrou a terceira onda populista (“o novo populismo”), e a atual estagnação que a região sofre cria o terreno fértil (insatisfação por um estado ineficiente e uma economia estagnada que oferece menos oportunidades de melhora social) para que se produza uma nova onda populista agora situada na direita do espectro político.

Na atual conjuntura, as mobilizações sociais protagonizadas pela classe média emergente (as que tem acontecido no Chile, no Brasil ou na Guatemala) pressionam para conseguir Estados mais eficazes e efetivos que canalizem suas demandas para melhores serviços públicos (transporte, segurança, educação e saúde) e maior transparência.

REFORMAS DECEPCIONANTES 

 

Há duas décadas “se registrava –segue Alcántara- o fracasso na hora de diminuir a enorme desigualdade existente; incluso ao aprofundamento da mesma, em parte pelos decepcionantes resultados da aplicação do modelo de reformas estruturais patrocinado por organismos financeiros internacionais”.

Todo este contexto é o que explica a sobrevivência, atual e no futuro, do populismo, embora se apresente sob outras formas e diferentes características. De fato, na atual conjuntura convivem na região alternativas emergentes do centro a direita (Mauricio Macri na Argentina), partidos e coligações do centro a esquerda  (o Governo da Nueva Mayoría no Chile de Michelle Bachelet) e dos tipos de movimentos de carácter populista, tal e como Alcántara sintetiza na seguinte tabela:

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SOBREVIVÊNCIA DOS MOVIMENTOS E LIDERANÇAS DO “NOVO POPULISMO”

Junto com governos nascidos na década passada no calor do auge do chavismo, mesmo que com suas próprias características e peculiaridades (Evo Morales na Bolívia, Daniel Ortega na Nicarágua, ou o correísmo no Equador), prevalecem forças que recolhem claramente o que tem sido a tradição populista mais recente. É o caso do kirchnerismo em Argentina, representado por a ex-presidente Cristina Kirchner, que aspira a se tornar senadora em 2017, e assim pavimentar seu regresso à Casa Rosada em 2019; ou é a situação também da liderança do mexicano Andrés Manuel López Obrador (AMLO). Trata-se dos restos do que Susanne Gratius descreveu como terceira onda populista ou “novo populismo”, hegemônico durante a década passada.

AMLO, um dos favoritos para ganhar as eleições presidenciais mexicanas em 2018, mostra um discurso demagógico que contém, em si mesmo, as características deste tipo de populismos. Por exemplo, a apresentação dicotômica e maniqueísta de uma realidade dividida permanentemente entre “bons e maus”, como quando indica e acusa de corrupção à classe política tradicional: “Todos eles deram as costas a nosso movimento e adianto: vêm novas traições, porque uma traição sempre vem acompanhada de outras, nunca chega sozinha, mas os que traem são os politiqueiros, os corruptos, não a gente; não o povo”.

O discurso lopezobradorista se constrói apoiado na criação de um inimigo comum e facilmente identificável: a “máfia do poder” (os partidos tradicionais e a classe política). Uma “máfia ” que traiu o povo, criação mitificada e símbolo da pureza republicana, de quem o líder (neste caso AMLO) é seu representante e encarnação. Após a eleição em Edomez em junho, López Obrador reforçou seu favoritismo eleitoral para as campanhas do ano que vem.

Um possível governo de López Obrador se encontraria com um grave problema de base, nascido de sua prédica populista. Suas promessas de mudança e regeneração criam uma revolução de expectativas muito complexas de cumprir e de tornar realidade. López Obrador criou um partido em torno a ele (na verdade uma força política que não é nada sem ele) que conta com uma estrutura escassamente desenvolvida, assim como membros em pequeno número e heterogêneos. Isto supõe que um possível governo de López Obrador entraria em choque de imediato com a complexa realidade: não teria maioria nas Câmaras; contaria com escassos suportes entre os governadores, pois a maioria pertence ao PRI e PAN, e teria sérias dificuldades para formar uma equipe de governo sólida e coerente.

APARIÇÃO, EMERGÊNCIA E ASENÇÃO DO “POPULISMO FRENTE À ELITE” NA AMÉRICA LATINA

Se desde 1998 o que predominou na região foi o populismo vinculado ao “socialismo do século XXI”, o “populismo rentista de esquerda”, o que se começa a perceber desde 2015 é a aparição de outra classe de populismos situados na direita do espectro político, e que foram reforçados pela emergência em escala internacional de fenômenos de sucesso a imitar, ao menos em parte, como o encarnado por Donald Trump nos Estados Unidos. E um populismo caracterizado, entre outras coisas, por um elemento concreto: a rejeição à classe política no poder (a maioria vinculada ao “socialismo do século XXI”) e para os partidos tradicionais, que consideram estar muito longe dos militantes. Não é um componente estranho aos três populismos anteriores, mas sim que se encontra muito marcado nesta quarta etapa.

“Eu gerei um discurso politicamente incorreto, desafiando ao poder estabelecido”

Saiu, neste sentido, como uma antecipação do que estava por chegar, o fenômeno de Jimmy Morales na Guatemala em 2015. Agora, na presente conjuntura, existem outras figuras que podem se tornar líderes populistas emergentes de uma direita antiestablishment. Trata-se de figuras como as de Jair Bolsonaro no Brasil, Alejandro Ordóñez e, em certos aspectos, o uribismo na Colômbia ou o fujimorismo no Peru.

Umas lideranças que crescem devido a que existe o terreno fértil: o baixo crescimento econômico e o mal-estar social e político por unas administrações ineficientes. Isto favorece o voto de castigo para quem está no poder: na maioria dos casos, governos de centro esquerda ou do “socialismo do século XXI”, o que explica a mudança para opções de direita e figuras que vêm de fora do sistema.

Nestes momentos, esse voto de castigo se está encaminhando de duas formas diferentes na região. Seja através de candidatos que se encontram dentro das principais e tradicionais forças da oposição, ou para o apoio a candidatos outsiders, alheios à política.

O fenômeno Trump (como exemplo de liderança pessoal não institucional de sucesso e de uma mensagem capaz de mobilizar a um eleitorado que se sente longe dos partidos tradicionais) terá suas ondas expansivas em escala mundial e também latino-americana. Torna-se um exemplo a imitar e seguir por figuras que, estranhas aos grandes partidos, populares graças a sua presença nos meios, tratam de alcançar o poder com um discurso direto, politicamente incorreto, de efeito e polarizador. Além disso, trata-se de uma mensagem extremamente centrada em uma pessoa, pronunciada a partir da direita do espectro político, mas que mantém paralelismos com as formas e, em parte com a base, do sustentado, até agora, por populismos de esquerda.

“O fenômeno Trump […] terá suas ondas expansivas em escala mundial e também latino-americana”

Esse “populismo trumpista” ou “populismo antielite” está em gestação na atual conjuntura na América Latina. Em alguns países avançará com força, em outros se afundará para sempre e em outros pode ficar somente como um projeto que é uma semente, a futuro. As crises dos sistemas de partidos lastrados pela corrupção (Brasil), de sociedades muito polarizadas em torno a determinados temas (Colômbia) ou de países onde aumenta o descontentamento por um estado ineficiente e uma classe política que não canaliza as demandas (Peru) são terrenos férteis propícios para que germine, madure e tenha sucesso esta nova modalidade de populismo.

Mas há mais aspirantes a “Trump latino-americanos”. Alejandro Ordóñez, o ex-fiscal da Colômbia, luta por liderar, ou ao menos integrar, uma grande coligação de direita[1] a partir de um antiacordo de paz com o fim de evitar o continuísmo do santismo ou um giro à esquerda no país.

“E uma proposta desde o ideário conservador. E uma revolução conservadora como a que lideraram Reagan e Thatcher. E agora se pode dizer que Trump a está fazendo, apesar de ser quem é. O que eu disse é que a ortodoxia e os paradigmas vieram rompendo numa boa hora nas democracias ocidentais. No Reino Unido com o Brexit, na França com Macron e Le Pen que não eram do estabelecido e na Colômbia com o plebiscito de 2 de outubro. Trump é um referente em matéria política porque é dos poucos políticos que cumpre o que promete. Se enfrenta ao estabelecido. Tem coisas que podemos não estar de acordo em sua vida pessoal, suas excentricidades. O que eu aspiro a ser é dizer o que penso, fazer o que digo e cumprir o que prometo. Desde pequeno penso o que penso. E nunca me envergonhei disso e nunca pedi desculpas pelo que sou. Eu criei um discurso politicamente incorreto, desafiando o estabelecido. Assim será minha campanha”.

CONCLUSÕES

A América Latina vive um novo ciclo político alimentado pelo final da bonança econômica e marcado por três dinâmicas que avançam em paralelo:

a-. O enfraquecimento das opções vinculadas às diferentes esquerdas da região.

b-. A maior fortaleza das opções de centro direita.

c-. A sobrevivência de dois tipos de populismos, cuja supervivência nega a tese de que estes tipos de forças estão em retrocesso. Trata-se de um populismo próximo às abordagens do “socialismo do século XXI” e outro situado à direita, com uma clara mensagem “antielite”.

Em última análise, a demagogia e o populismo estão longe de estar em decadência ou a ponto de desaparecer na América Latina. De fato, tudo indica que reaparecerão sob outros rostos e além disso terão uma presença global, porque existe um contexto propício (o estancamento econômico), exemplos de sucesso a imitar (Donald Trump) e líderes carismáticos que aspiram a aproveitar o novo momentum populista.

Na verdade, nada de novo sob o sol, tal e como indicará Moisés Naim: “O mais interessante de Trump, como produto político, não é o excepcional que é, mas o comum que é nestes tempos de antipolítica. Os “terríveis simplificadores” proliferam quando cresce a incerteza e a ansiedade na sociedade e por isto hoje em dia são uma tendência global. Estão em todas as partes. Mas Trump é a mais perigosa manifestação desta tendência. E, nisso, ele é excepcional”.

Esse informe foi produzido pela equipe de analistas da LLORENTE & CUENCA

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