26 March 2018

Contra as Fake News na empresa: Real Advocacy

“Em um domingo qualquer de dezembro de 2016, Edward Welch, de vinte e oito anos, pai de dois filhos e bombeiro voluntário, saiu da sua casa na Carolina do Norte determinado a resolver por conta própria o que via nas notícias. Conduziu o seu veículo por 600 quilômetros até Washington e entrou na pizzaria Comet Ping Pong, armado com um rifle de assalto AR-15, uma pistola e 29 cartuchos de munição, em plena hora do rush. Disparou três vezes para o ar, felizmente sem atingir ninguém, e se dispôs a procurar corredores, câmaras subterrâneas e sinais satânicos. Estava convencido de que ali dentro haviam crianças sequestradas e exploradas sexualmente por uma rede de pedofilia dirigida pelo diretor de campanha de Hillary Clinton”.

Assim começa o terceiro capítulo do livro Fake News, La verdad de las noticias falsas (Fake News. A Verdade das Notícias Falsas), publicado recentemente pelo jornalista Marc Amorós. Ele nos alerta para o fato de que as fake news não são uma piada, e que podem ter consequências reais. Para Edward Welch, uma condenação real à quatro anos de prisão pelo caso que ficou conhecido como “PizzaGate”, descrita nesta reportagem do jornal The New York Times.

As fake news não são um fenômeno transitório, mas sim uma tormenta perfeita, trazida pela tecnologia, e que não se dissipará nos próximos anos. A consultoria tecnológica Gartner assegura no seu relatório Previsões Tecnológicas para 2018, que em 2022 os cidadãos das economias mais avançadas consumirão mais informação falsa do que verdadeira.

Além do impacto político e midiático, o relatório destaca que as fake news representam um grave problema para as empresas: “as empresas não devem controlar de perto apenas o que se diz sobre as suas marcas diretamente, mas também em que contexto, para se assegurarem de que não estejam associadas com nenhum conteúdo que possa ser prejudicial para o valor da sua marca”. É importante destacar também que, de acordo com o MIT, as fake news têm 70 % mais chance de serem retuitadas, e que são as pessoas reais (e não os bots) as responsáveis pela propagação dessas informações.

Neste cenário, o silêncio não é uma opção e as empresas precisam assumir uma postura mais ativa para enfrentar os obstáculos dessa desinformação. Seguindo esta linha, Marc Amorós aponta três conselhos fundamentais que as empresas devem seguir se quiserem vencer a batalha contra as fake news.

A necessidade de trabalhar na prevenção: combater a desinformação com advocacy

A estas reflexões, gostaríamos de acrescentar a necessidade de trabalhar na prevenção. Uma prevenção que passa pelo desenvolvimento de programas de identidade digital, que promovam a presença de líderes e colaboradores das empresas nas redes sociais. Enfrentar, definitivamente, as fake news com ações de advocacy. Podemos resumir os principais benefícios dessa perspectiva em quatro pontos-chaves:

#1 Humaniza a comunicação

Empresas que apostam em uma “voz humana” como uma proposta de valor aumentam sua credibilidade.

#2 Potencializa a liderança e amplia a influência das empresas

Trabalhar com a influência online de uma empresa requer trabalhar com a identidade digital de seus líderes e colaboradores.

#3 Posiciona os embaixadores como referências

O desenvolvimento de uma identidade digital sólida e consistente dos embaixadores faz com que a participação nas comunidades de interesse seja qualificada e contribui para que sejam valorizados como porta-vozes sobre diversos temas e/ou assuntos.

#4 Promove a transparência e contribui para a reputação

Os líderes que lidam de maneira inteligente com essa mudança cultural contribuirão com a melhoria da reputação das empresas que representam.

Não estamos diante de uma questão simples e, portanto, exige que recorramos a soluções mais sofisticadas para nos prepararmos. Os profissionais de comunicação e reputação têm a necessidade de enfrentar novos problemas com novas soluções e as fake news são um novo problema, que parecem (infelizmente) ter vindo para ficar. Sobre como lidar passo a passo com estas novas soluções e como implementá-las, discutiremos detalhadamente com este relatório.

A ficção acaba se tornando, pela força da repetição, em realidade e essa pseudo-realidade gerada, em “verdade compartilhada”. O esforço conjunto para combatê-las está nas mãos das empresas e da sociedade.

Para continuar aprofundando neste assunto e conhecer a opinião de nossos profissionais, você pode baixar o relatório completo através deste link.

authors:
Eva Pedrol Medialdea
Diretora da Área de Comunicação Corporativa e Crise da LLORENTE & CUENCA em Barcelona. 
Pedrol tem mais de 10 anos de experiência em assessoria de comunicação e reputação, trabalhando para várias companhias a nível nacional e internacional, contribuindo para fortalecer e proteger o seus posicionamentos e seus negócios. Especializou-se no seguimento de empresas internacionais em fase de landing na Catalunha, nos setores de retail, aviação, tecnologia e economia colaborativa. Eva Pedrol tem ampla experiência nos meios de comunicação espanhóis e internacionais, tendo trabalhado na agência de notícias EFE, em Barcelona, e como correspondente no Panamá. Foi também consultora de comunicação na Delegação Regional da UNICEF para a América Latina e para o Caribe. Pedrol é licenciada em Jornalismo pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e possui um Máster em Direção de Comunicação pela Universidade Pompeu Fabra (UPF).  
María Obispo
Gerente da Área Digital na LLORENTE & CUENCA Madrid
Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Navarra, possui um PDD na IESE Business School e acumula mais de 10 anos de experiência em projetos de comunicação online. María Obispo trabalhou para companhias como Vocento e lainformación.com e, ao longo dos seus oito anos de experiência na LLORENTE & CUENCA, assessorou grandes empresas espanholas como Inditex, Gas Natural Fenosa, Caixabank, Campofrío e L’Oréal, entre outras. María é também professora de Comunicação Digital em centros como a Universidade de Cantabria, a Universidade Carlos III e a Escola Européia de Negócios, entre outros.  
Mar Velasco Baron
Consultora sênior da Área Digital da LLORENTE & CUENCA em Barcelona
Velasco é licenciada em Jornalismo pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e completou um Máster em Inovação e Qualidade Televisiva na Universidade Pompeu Fabra (UPF). Durante cinco anos trabalhou como jornalista em diversos meios de comunicação, como a agência de notícias Europa Press, e em emissoras de rádio nacionais e autônomas, como RNE e COM Ràdio, chegando a apresentar o seu próprio programa. Na LLORENTE & CUENCA Barcelona lidera a Área Digital, assessorando companhias de diversos setores de atividade, entre as quais se encontram empresas tecnológicas, financeiras e farmacêuticas, especialmente sobre o seu posicionamento e estratégia digital.
Vanessa Álvarez
Consultora sênior da Área Digital na LLORENTE & CUENCA Madrid
Licenciada em Jornalismo e Comunicação Audiovisual pela Universidade Internacional SEK com um Máster em Comunicação Institucional da Universidade Rey Juan Carlos, Vanessa Álvarez começou a sua carreira profissional como jornalista estagiária na TVE e na RNE. Posteriormente dedicou-se durante três anos à comunicação corporativa. Vanessa soma já 8 anos trabalhando na área da comunicação online na LLORENTE & CUENCA, com clientes como Repsol, Sacyr, Coca-Cola, MasterCard, Grünenthal, Aliseda Inmobiliaria e Campofrío.  
ESPAÑOL
ENGLISH
PORTUGUÊS
PORTUGUÊS-BRASIL

Artigos Relacionados

Este sitio web utiliza cookies, tanto propias como de terceros, para recopilar información estadística sobre su navegación. Si continúa navegando, consideramos que acepta su uso.

ACEPTAR
Aviso de cookies