17 October 2018

Relatório anual integrado; mais um passo na direção da transparência nas organizações

O relatório integrado deve ser entendido como o documento-mãe de toda entidade cotada na Bolsa. O documento deve estruturar a comunicação com todos e cada um dos stakeholders da empresa. Deve ser a fonte da equity story da entidade, podendo ser atualizável para a comunidade financeira.

Na esteira da crise econômica, vincular melhor as decisões de investimento, o comportamento empresarial e a apresentação de relatórios tornou-se uma necessidade global. As empresas precisam de uma evolução no sistema para informar, facilitar e comunicar megatendências sem a complexidade dos requisitos atuais de informação.

Relatórios integrados foram criados para melhorar a prestação de contas, a gestão e a confiança, bem como para aproveitar o fluxo de informações e a transparência das empresas. Uma das questões que a tecnologia forneceu ao mundo moderno. Proporcionar aos investidores e aos demais stalkeholders as informações necessárias para tomar decisões mais eficazes de alocação de recursos possibilitará um melhor desempenho do investimento a longo prazo.

Relatórios integrados foram criados para melhorar a prestação de contas, a gestão e a confiança, bem como para aproveitar o fluxo de informações e a transparência das empresas

Possivelmente, a melhor maneira de entender o que aspira ser um relatório integrado é observando alguns exemplos que existem na Espanha. Em seu banco de dados acadêmico, o próprio IIRC destaca como melhores práticas aquelas adotadas pela Iberdrola, Ferrovial e Indra. Hoje, existem mais de 1.600 organizações, em 65 países, que elaboram um relatório anual integrado seguindo a estrutura do IIRC e que, portanto, comunicam de forma transparente as informações relevantes de suas empresas e seu impacto na sociedade, mostrando sua narrativa de criação de valor no curto, médio e longo prazo. Desta forma, cada um dos seus grupos de interesse pode confiar nas informações e tomar decisões.

O que caracterizam os relatórios integrados? A primeira característica é que o Conselho de Administração da empresa deve reconhecer sua importância e garantir sua integridade. Ficou para trás o tempo em que o relatório de sustentabilidade era apresentado à Diretoria, mas esta nem sequer o aprovava posteriormente.  Atualmente, exige-se responsabilidades totais quanto a informações sobre temas ambientais, sociais, éticos e governamentais.

Em segundo lugar, o relatório integrado deve descrever tanto a estratégia da empresa quanto sua geração de valor no curto, médio e longo prazo. Um relatório integrado deve indicar quais são os principais grupos de interesse; os temas que são caros à empresa; como a organização responderá a cada um deles; e suas implicações na criação de valor ao longo do tempo. Isso, no jargão do reporting, é chamado de materialidade. A informação deve ser concisa, confiável, consistente no tempo e comparável.

Lancemos um olhar sobre os conteúdos que o relatório integrado deve responder:

Estamos convencidos de que, à medida que o movimento de integrated reporting avance, veremos menos e melhores informações das empresas. E também sabemos que, quanto mais concretização, eficiência e coordenação, a dificuldade de elaborá-lo será menor.

Não se trata de converter o relatório integrado em mais um relatório (integração de relatórios), mas ao contrário. Não deve ser uma foto publicada seis meses após o encerramento do exercício. Deve parecer mais um equity story ao vivo para investidores do que um box de compliance.

O relatório anual integrado é a consequência de tudo isso e busca a transparência, a proteção, a criação de valor e a projeção de futuro para os grupos de interesse de uma organização.

É muito recente, mas tem sentido e é difícil encontrar alguém responsável que não veja sua lógica estratégica. Agora, pobres coordenadores deste exercício em grandes empresas que, dentro da área de Contabilidade Financeira ou mesmo na de Relações com Investidores, estão passando por dificuldades especiais em razão do surgimento de uma tendência ainda incipiente, mas que conta com as garantias necessárias para se tornar o padrão de relatórios corporativos.  Transparência pura com letras maiúsculas e, portanto, pura elegibilidade.

authors:
Meritxell Pérez
Diretora de Relações com Investidores na Área Corporativa Financeira da LLORENTE & CUENCA
Meritxell Pérez é licenciada em Administração e Direção de Empresas pelo CUNEF, especializando-se em Auditoria. Conta com mais de 16 anos de experiência no mercado financeiro tendo, nos últimos 12 anos, desenvolvido esta atividade nos departamentos de Relações com Investidores da Clínica Baviera e da cadeia hoteleira Sol Meliá. Anteriormente, trabalhou em vários projetos, incluindo a criação da representação comercial da Embaixada de Espanha na Lituânia. Pérez trabalhou dois anos na Deloitte como auditora de serviços financeiros, tendo iniciado a carreira profissional no BBVA, em Paris. Desde que ingressou na LLORENTE & CUENCA, tem liderado estratégias de comunicação financeira e relações com investidores em grandes empresas e fundos internacionais.
Tomás Conde
Assessor Sênior em comunicação financeira da LLORENTE & CUENCA
Conde possui experiência de 25 anos no setor financeiro com especialização em sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial, finanças sustentáveis, mudanças climáticas e inclusão financeira digital. Conde ingressou no setor bancário em 1993 e ocupou vários cargos, incluindo o de Diretor de Riscos na BEX no Panamá e posições em Bancos de Varejo, Bancos Corporativos e Bancos Industriais. É diretor de sustentabilidade do BBVA há mais de dez anos e foi responsável pela inclusão financeira da instituição no IIF, em Washington. Representou o BBVA em órgãos das Nações Unidas, como a UnepFI, PRI, Global Compact, Global Compact e outras iniciativas multilaterais sobre sustentabilidade, além de ISR, como GRI, IIRC ou SpainSIF. Economista, Mestre em Engenharia e Gestão Ambiental pela EOI Business School, Tomás também tem uma certificação ESG pela EFFAS e outra em moedas digitais pela Tufts University MA. Ele é professor de sustentabilidade no Instituto de Empresa e outras importantes escolas de negócios. Autor de artigos, estudos e conferencista.
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