14 March 2019

Uma estrada de oportunidades em infraestrutura no Brasil

Sob novo governo, o Brasil passou a seguir uma agenda econômica liberal bastante nítida, que acena com oportunidades de negócios para companhias nacionais e multinacionais.

Dentre os imensos desafios a serem enfrentados pelo presidente Jair Bolsonaro, o setor da infraestrutura tende a ser aquele com a maior capacidade de render notícias positivas em período relativamente curto de tempo.

A agenda de investimentos previstos tem 193 projetos preparados pelo chamado “Programa de Parceria de Investimentos (PPI)”. Apenas no setor de transporte e logística, os projetos previstos no PPI apontam investimentos de R$ 111 bilhões nos próximos anos. Estão no radar, por exemplo, concessões de aeroportos e de rodovias, a construção de novas ferrovias e a oferta de terminais portuários. Só nesse segmento, o Brasil vai disponibilizar para o setor privado 59 projetos diferentes.

Um aspecto importante é que os programas de concessão de infraestrutura não são exclusividade do governo federal. O Estado de São Paulo prepara a aceleração dos programas de concessão de metrô, a renovação das concessões de rodovias e a privatização do Porto de São Sebastião. Em fevereiro, o governador do estado de SP, João Doria anunciou o lançamento de um novo lote de concessões de rodovias. O plano do governador é entregar ao setor privado 1.201 quilômetros de vias por 30 anos e obter investimentos de R$ 9 bilhões.

Em Minas Gerais, Romeu Zema, empresário que entrou recentemente na política, prepara o Plano de Mobilidade Urbana. A ideia do governador mineiro é colocar em marcha um ousado projeto de retomada do metrô de Belo Horizonte, que está paralisado há anos. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também quer reativar um projeto de metrô para Porto Alegre. Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, anunciou que pretende montar um programa de concessões de 12 rodovias no Estado. O plano é entregar à iniciativa privada 719,2 quilômetros de estradas.

Isso sem falar no novo ciclo de expansão do setor elétrico, com novas hidrelétricas, termelétricas, parques eólicos e solares e linhas de transmissão. A profunda crise econômica que derrubou o Produto Interno Bruto brasileiro por dois anos freou a demanda por energia, mas a retomada do país exigirá, em pouco tempo, uma maior capacidade de produção e de transmissão.

Nova agenda econômica

A agenda liberalizante que emergiu nas eleições de outubro de 2018 tem como principal fiador o “superministro” da Economia, Paulo Guedes, que reuniu sob o seu poder a estrutura de outros ministérios extintos e que conta com amplo apoio de Bolsonaro. Guedes promete reduzir o tamanho do Estado Brasileiro e privatizar tudo o que for possível.

A despeito disso, Guedes já anunciou que espera arrecadar US$ 20 bilhões com a execução do plano de privatizações de estatais em 2019. É uma aposta alta e que vai testar a capacidade de o governo traduzir em votos no Congresso o apoio para a agenda que apresentou ao país durante a eleição de 2018.

Para um país que enfrenta com frequência travas no crescimento econômico, investimentos consistentes em infraestrutura podem oferecer ao país um avanço econômico de 2%, 3% e, em situações mais especiais, de até 4% ao ano.

Demanda histórica por investimentos

Investir em infraestrutura já não é mais uma questão de opção para o Brasil, mas de necessidade, diante dos imensos gargalos que enfrenta. Na área de logística de transporte, essencial para escoamento das safras recordes do agronegócio brasileiro, 64% da carga é transportada ainda por caminhões, modalidade mais cara e poluente, contra apenas 18% de participação das ferrovias e 5% das hidrovias.

A infraestrutura urbana de saneamento é outro exemplo de setor que demanda investimentos urgentes. Nesse campo, há diferenças abissais no Brasil, em que há localidades com nível de saneamento de primeiro mundo e outras com indicadores similares aos dos países mais pobres do globo. Para termos uma ideia: 17% dos brasileiros ainda não têm acesso à água tratada; 38% da água potável que sai das estações de tratamento são perdidas na distribuição e não alcançam as casas dos brasileiros; no total, 56% do esgoto não recebe qualquer tipo de tratamento.

Quem sai na frente

Os processos de abertura ao investimento privado envolvem uma série de requisitos das companhias e fundos de investimento. Em primeiro lugar, é preciso contar com um real entendimento e acompanhamento do cenário brasileiro (político, econômico e setorial). Além disso, em muitos casos, um investimento em infraestrutura vai requerer um projeto complementar de gestão de reputação, que engloba desde ações de assuntos públicos e advocacy até a apresentação de credenciais para a opinião pública, de modo a criar um ambiente favorável aos novos administradores privados.

Após a conquista de uma concessão, tem-se outro desafio: o de construir apoios e relacionamentos, essencial para implementação e avanço do empreendimento. Assumir um projeto pressupõe o entendimento do contexto local onde o ativo de infraestrutura está inserido e os possíveis desafios existentes pela frente.

O fato é que o Brasil acena, nos dias de hoje, com oportunidades concretas em infraestrutura. Quem estiver bem preparado saberá transitar com os maiores êxitos nesta estrada.

authors:
Cleber Martins
Diretor Geral da LLORENTE & CUENCA no Brasil
É jornalista e advogado, com vasta experiência no setor de comunicação no Brasil. Durante 15 anos, ocupou diferentes cargos na Folha de S. Paulo, incluindo editor de negócios e editor-adjunto de economia. Com trajetória executiva na área de comunicação corporativa, tem atuado em projetos, nacionais e internacionais, para as principais empresas do setor privado do país, na construção de reputação, prevenção e gestão de crises, inovação, treinamentos e consultoria de reputação. Formado pela USP (jornalismo e direito), também possui MBA em Informações Econômico-Financeiras e extensão em ciências políticas e relações governamentais.
Agnaldo Brito
Gerente de comunicação em infraestrutura da LLORENTE & CUENCA no Brasil
É formado em comunicação social com especialização em Energia pelo Laboratório de Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor/Unicamp). Trabalhou por mais de 20 anos nas principais redações da imprensa brasileira, entre as quais Gazeta Mercantil, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo. Como jornalista, cobriu temas ligados ao setor de infraestrutura no Brasil e no exterior. É especialista em vários segmentos da infraestrutura, como rodovias, portos, aeroportos, mobilidade urbana e energia. Na comunicação corporativa tem atuado como especialista na comunicação estratégica para o setor de infraestrutura.
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